segunda-feira, 6 de março de 2023

subversão

 

um verso maroto
grandalhão torto
embaixo
do baixo
do chão
sei não!
deve ser
subversão

Silvia Rabelo

mesa/poema

mesa/livros - 

poema onde tudo cabe



*
Entre
a rosa
e
o sal
se insinua
uma fogueira
que
trepida
lágrima.
Entre
a rosa
e
o sal
se esconde
uma ternura
que
invade
tudo.
Entre
o sal
e
a rosa
se instaura
um coração
que
sangrando
faz nascer
o deserto.
*
Mell Renault

 in: "Patuá" - Editora Coralina


Vitor Miranda

 

Poemito

o mito
mata
a mata
eu mato
o mito

Vitor Miranda

Wanda Monteiro

A linguagem poética talvez seja o ultimo refúgio da huma- nidade. A escritura poética restará – mesmo – como tesouro arqueológico da remota paisagem dos sentidos e percepções do humano.

Wanda Monteiro

Rubens Jardim

DEDO EM RISTE

Este poema não diz nada
da mesma forma
que a história não diz tudo.
Língua cortada:
este poema não fala
–falha.
E insiste:
dedo em riste!

Rubens Jardim


Ariano Suassuna


Ariano Suassuna - oxente!

Noturno

Têm para mim Chamados de outro mundo
as Noites perigosas e queimadas,
quando a Lua aparece mais vermelha
São turvos sonhos, Mágoas proibidas,
são Ouropéis antigos e fantasmas
que, nesse Mundo vivo e mais ardente
consumam tudo o que desejo Aqui.

Será que mais Alguém vê e escuta?

Sinto o roçar das asas Amarelas
e escuto essas Canções encantatórias
que tento, em vão, de mim desapossar.

Diluídos na velha Luz da lua,
a Quem dirigem seus terríveis cantos?

Pressinto um murmuroso esvoejar:
passaram-me por cima da cabeça
e, como um Halo escuso, te envolveram.
Eis-te no fogo, como um Fruto ardente,
a ventania me agitando em torno
esse cheiro que sai de teus cabelos.

Que vale a natureza sem teus Olhos,
ó Aquela por quem meu Sangue pulsa?

Da terra sai um cheiro bom de vida
e nossos pés a Ela estão ligados.
Deixa que teu cabelo, solto ao vento,
abrase fundamente as minhas mão...

Mas, não: a luz Escura inda te envolve,
o vento encrespa as Águas dos dois rios
e continua a ronda, o Som do fogo.

Ó meu amor, por que te ligo à Morte?

A massificação procura baixar a qualidade artística para a altura do gosto médio. Em arte, o gosto médio é mais prejudicial do que o mau gosto... Nunca vi um gênio com gosto médio.

Arte pra mim não é produto de mercado. Podem me chamar de romântico. Arte pra mim é missão, vocação e festa.

… que é muito difícil você vencer a injustiça secular, que dilacera o Brasil em dois países distintos: o país dos privilegiados e o país dos despossuídos.

Eu digo sempre que das três virtudes teologais chamadas, eu sou fraco na fé e fraco na qualidade, só me resta a esperança. Eu sou o homem da esperança.

O otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso.

LÁPIDE

Quando eu morrer, não soltem meu Cavalo
nas pedras do meu Pasto incendiado:
fustiguem-lhe seu Dorso alardeado,
com a Espora de ouro, até matá-lo.

Um dos meus filhos deve cavalgá-lo
numa Sela de couro esverdeado,
que arraste pelo Chão pedroso e pardo
chapas de Cobre, sinos e badalos.

Assim, com o Raio e o cobre percutido,
tropel de cascos, sangue do Castanho,
talvez se finja o som de Ouro fundido

que, em vão – Sangue insensato e vagabundo —
tentei forjar, no meu Cantar estranho,
à tez da minha Fera e ao Sol do Mundo!

Ariano Suassuna

poesia em movimento - múltiplas poéticas

 

Por tudo & Por todos

Pulem todos os muros
Roubem todas as rosas
Enfeitem todas as janelas!
Invadam as repartições
e libertem os que
querem voar!

André Giusti 

 


Vampiro Goytacá Canibal Tupiniquim

vampiro goytacá canibal tupiniquim   vermelho meu espelho da cabeça ao coração do coração a cabeça antes que me esqueça  nervos medula mús...