quinta-feira, 15 de junho de 2023

Pessoa e Suas Pessoas


PESSOA E SUAS PESSOAS

Há pessoas
que não sabem
quem é Pessoa.
Como é possível
alguma pessoa
não saber quem é Pessoa?
Que pessoa
foi Pessoa?

Pessoa não foi pessoa,
é Pessoa!
Pessoa e seus heterônimos.
"Pessoa inventava poetas inteiros".
Ou meios.
Pessoa foi pessoas,
várias pessoas!

Pessoa e seus inteiros:
ao longo,
o médico
- e poeta -
Ricardo Reis.
Ao largo,
um estrangeiro
- e poeta -
o alter ego e sua tabacaria,
Álvaro de Campos.
Ao vento,
o mestre ingênuo
- e poeta -
guardador de rebanhos,
Alberto Caeiro.
Pessoa e seus meios:
à margem,
em seu desassossego,
- o ajudante de guarda-livros -
Bernardo Soares.

Pessoa
e suas muitas pessoas:
entre o dia de seu nascer
e o de seu morrer,
todos os dias
foram seus.

Você sabe
quem foi(é) Pessoa?
Uma pessoa
que queria ser
o poeta Pessoa
- inteiro -
("o eu profundo e os outros eus")
sem condições
de outras pessoas!

(Nic Cardeal, em 13.06.2017 


sexta-feira, 9 de junho de 2023

Garbo Gomes

 

do sangue dos crepúsculos

 

"... entre a onda e o lampejo

da onda entrevimos o perfil em

chamas de nossos corpos..."

Claudio Willer

 

outra vez

o mar

os reinícios

insano

ígneos

refluxos

anarco

lúdicos

efetivo

colapso

afetivo

efêmero

frêmito

festivo

( eu nunca soube falar )

outra vez

o mar

os indícios

lírico

ilícitos

resíduos

psico

promíscuos

latente

incêndio

íntimo

eloquente

espasmo

último

( eu sempre sangro às seis )

outra vez

o mar

&

a falência

líquida

dos

corpos

lânguida

leveza

dos

ventos

distantes

a sede dos lírios

o nome das coisas

o chão dos dias

de

resto

um

máximo

léxico

de

excessos

um

narco

idílio

ilógico

onírico

a poesia derramada

. a língua acesa

os olhos retorcidos

( eu sempre quis assim )

você

entrando

e

nunca mais

saindo

de

mim


hino à noite

a Novalis

 

a

lívida

leveza

do

vento

claro

silêncio

tenso


de profundos

espasmos noturnos

 

" ... às noites me esvaio

em sacro fervor. "

Novalis

 

teus

olhos

derramados

espaços

dissonantes

extensões

líricas

cidades

convulsas

( esdrúxula

ilha

última

gozo

verbo

rrágico

êxtase

falo

crático )

íntima

invasão

viperina

intensa

expansão

lúbrica

:

teu

corpo

dissolvido

em

dissoluta

ausência

dispersão

vulvo

uterina

latência

líquido

sinuosa

( urbanas

carícias

corrosivas

distúrbios

orgânico

sintáticos )

:

nosso

eloquente

silêncio

indício

lascivo

de

março

cansaço

vestígio

onírico

de

fogo

falso

ou

rastro

íntimo

de

festiva

ruína

retrato

lúdico

de

inútil

euforia

( girassóis

libertos

rugindo

veloz

salto

colorido )

:

poesia


eu mesmo nem sei se fui

a poesia não é mais
a morte ainda existe
o dia nasce sujo

os poetas vivem pútridos

tua face um dia foi
a carne ainda chora
o sonho não existe

os poetas observam
incêndios
as crianças absorvem
felizes

o poema morre calmo
teus olhos nunca viram

( eu nunca soube
o que é poesia )

os poetas se masturbam
o corpo ainda existe

garbo gomes


Vampiro Goytacá Canibal Tupiniquim

              Artur Gomes vampiro goytacá canibal tupiniquim             poesia  prosa viagens metafóricas por  realidades reinv...