terça-feira, 30 de janeiro de 2024

múltiplas poéticas

cacos de ossos
sonhos estilhaçados
                      no chão

palavras dilaceradas
carne incinerada
        ditadura cão

reflexo no espelho
do poema
                           NÃO

Artur Kabrunco
Vampiro Goytacá/Canibal Tupiniquim
https://arturgumes.blogspot.com/

Arte: Tchello d'Barros



            Você Só Pensa Em Grana

 

Você só pensa em grana,

Meu amor!

Você só quer saber

Quanto custou a minha roupa

Custou a minha roupa...

 

Você só quer saber

Quando que eu vou

Trocar meu carro novo

Por um novo carro novo

Um novo carro novo,

Meu amor...

 

Você rasga os poemas

Que eu te dou,

Mas nunca vi você

Rasgar dinheiro

Você vai me jurar

Eterno amor

Se eu comprar um dia

O mundo inteiro...

 

Quando eu nasci

Um anjo só baixou

Falou que eu seria

Um executivo

E desde então eu vivo

Com meu banjo

Executando os rocks

Do meu livro

 

Pisando em falso

Com meus panos quentes

Enquanto você ri

No seu conforto

Enquanto você

Me fala entre dentes

Poeta bom, meu bem

Poeta morto...

 

Zeca Baleiro

 CD Líricas lançado em 2000 pela Ariola  


no Studio Fulinaíma Produção Audiovisual
ouvindo algumas pérolas raras da nossa
melhor MPB presente do meu queridíssimo
amigo Jose Gil Azeredo com a cia desses

traços expressivos do imenso Jean-Michel Basquiat

 

Artur Fulinaíma

www.arturkabrunco.blogspot.com



a casa não é parede

que circunda os ossos da pele

mais que concreto

a casa é o repouso da alma

em tempos de ventos fortes

 

a casa é simulacro

que respira entre

os poros do forro

é o teto que acolhe

as lágrimas espessas

os risos encorajados de alegria

 

a casa é o quintal

que circula pelas frestas

é o piso dos pés

que rompem a manhã 

é o alicerce suspenso

é o sonho carcomido pela espera

 

a casa é o tempo

que escorre pelos dedos

é o olho que se projeta no medo

é a circunstância que impõe

o voo da descoberta

 

a casa é quase

o sentido sem sentir

é aconchego

é faca que corta 

a noite escura

é tempero que ilumina

em torno da mesa

o bolo a cereja

 

a casa é o espanto

da mão que fere

o gozo dos dedos que acarinha

o rosto exposto

o sono desperto

na madrugada fria

é o ritmo do coração

o som das calhas encharcadas 

 

a casa é o colo

o desespero da perda

o vazio que transpassa

o fogo a cama a fumaça

o toldo amparado pela brisa

é a luz do poste na esquina

 

a casa é o sol guardado

na caixinha de surpresas

o céu enfeitado de  vagalumes

a terra decorada de guirlandas

é o espinho de jardim sem flores

a roupa dos amores

 

a casa é quase-morte

é renascimento

é invento

é quase-nada

é tudo num minuto

 

a casa não é o que parece

nem carece de definições

 

a casa é chegada

é despedida

o entra e sai da vida

 

toda casa

é recomeço

 

*

 

curto palavras
como se delas derivasse
a existência do tempo

percorro suas nuances
seus acentos agudos
suas circunferências
suas entrelinhas
permeadas de vírgulas
e reticências

temo chegar ao ponto final
sem saber direito
o fim da história

se ainda resta memória
para relatar
ou força para parar
a passagem rápida
do tempo

que entre ponto e vírgula
se insinua
com uma acachapante
interrogação
o que é a vida?

de imediato
lanço uma exclamação
sei lá!
e devolvo a interrogação

se és tempo
o senhor da razão
e não sabes
quem saberá
o que é
a vida então? 

 

Dinovaldo Gillioli 


NOVA OBRA IMPRESSA! 😀

Comunico com alegria que a plaquete “IR E VIR”, publicada em Portugal, já está disponível p/ aquisição. A obra reúne uma seleção de minhas criações em Poesia Experimental (poemas concretos, poemas visuais e escrita assêmica).

Título: “Ir e Vir”

Autor: Tchello d’Barros (Brasil)

Dimensão: 20 X 30 cm

Preço: 8€

Edição: PaperWiewBooks (Leiria, Portugal)

🙏

Encomende seu exemplar aqui:

https://paperviewbooks.pt/books/ir-e-vir/?fbclid=IwAR0O1UEb6yfY-URMACpjrL2xJh2JLa0jL4kuk8FmgzieQffGorF7VgGPXDY


o pantanal ainda sangra

peixes ontem
comeram
pendrives
notbooks
e outras coisitas
mais
que tal família
sorrateiramente
cinicamente
descaradamente
lançou ao mar
          de Angra

Artur Gomes
O Homem Com A Flor Na Boca
leia muito mais no blog
https://fulinaimagens.blogspot.com/

Arte: Tchello d'Barros


Chove
Já não cuido da terra

Hoje a mim cabe cuidar do ladrilho, do azulejo, do beijo frio da porcelana

Não planto uvas
As parreiras crescem longas longe de minhas mãos

Bebo o vinho
Cheiro o vinho
Cheiro a vinho e veleiros

(Longe o lugar de partida)
Mares inteiros

Tantas árvores, cipós, espinheiros
O desenho azul no cimento vermelho

A flor, inerte, pende de suas partes
Como se pendesse antúrios mortos dos meus olhos

Chove

Deixo entrar lírios e rosas
Pelo alpendre do tempo

Chove

Ainda tenho tuas mãos nodosas,
Como raízes suspensas clamando aos céus abundância.

Lázara Papandrea 

— em Curitiba, Paraná

via Ivy Menon


Há cidades cor de pérola onde as mulheres

"Há cidades cor de pérola onde as mulheres
existem velozmente. Onde
às vezes param, e são morosas
por dentro. Há cidades absolutas,
trabalhadas interiormente pelo pensamento
das mulheres.


Lugares límpidos e depois nocturnos,
vistos ao alto como um fogo antigo,
ou como um fogo juvenil.
Vistos fixamente abaixados nas águas
celestes.


Há lugares de um esplendor virgem,
com mulheres puras cujas mãos
estremecem. Mulheres que imaginam
num supremo silêncio, elevando-se
sobre as pancadas da minha arte interior.

Há cidades esquecidas pelas semanas fora.
Emoções onde vivo sem orelhas
nem dedos. Onde consumo
uma amizade bárbara. Um amor
levitante. Zona
que se refere aos meus dons desconhecidos.
Há fervorosas e leves cidades sob os arcos
pensadores. Para que algumas mulheres
sejam cândidas. Para que alguém
bata em mim no alto da noite e me diga
o terror de semanas desaparecidas.
Eu durmo no ar dessas cidades femininas
cujos espinhos e sangues me inspiram
o fundo da vida.
Nelas queimo o mês que me pertence.
o minha loucura, escada
sobre escada.

Mulheres que eu amo com um desespero fulminante,
a quem beijo os pés
supostos entre pensamento e movimento.
Cujo nome belo e sufocante digo com terror,
com alegria. Em que toco levemente
Imente a boca brutal.


Há mulheres que colocam cidades doces
e formidáveis no espaço, dentro
de ténues pérolas.
Que racham a luz de alto a baixo
e criam uma insondável ilusão.

Dentro de minha idade, desde
a treva, de crime em crime - espero
a felicidade de loucas delicadas
mulheres.
Uma cidade voltada para dentro
do génio, aberta como uma boca
em cima do som.
Com estrelas secas.
Parada.

Subo as mulheres aos degraus.
Seus pedregulhos perante Deus.
É a vida futura tocando o sangue
de um amargo delírio.
Olho de cima a beleza genial
de sua cabeça
ardente: - E as altas cidades desenvolvem-se
no meu pensamento quente."

In: Herberto Helder.

Lugar – Poesia toda.
Assírio & Alvim, 1979.
 


''Mais cedo ou mais tarde
o silêncio virá
perguntar por ti.''

Albano Martins


Jean-Michel Basquiat 

Cinzia Farina 
*

Silêncio

 

Me deixem quietinho

dizia meu filho

e agora digo eu

 

Me deixem quietinha

dizia minha filha

e agora é minha vez

 

Você ouviu

você leu

você pagou

você fez

 

todo o silêncio do mundo

que tanta boca me inquieta

 

por breves minutos

um copo de silêncio

para esse casmurro

ou mesmo um pouco de água fria

numa garrafa azul de plástico

 

Quem sabe amanhã

ou talvez noutro planeta

este vagabundo assim cometa

quase que um poema

um texto curto para jogar no lixo

um conto longo para deixar estrábico

um cometa

uma faisquinha assim de nada

que suba dance e desça

uma moeda para pagar o pão

uma caneta para rabiscar

o chão

 

Silêncios sentados

sobre colos de silêncios

em cadeiras de camurça

 

Por pouco tempo meus óculos

novos e limpos com uma limpeza

de enxergar

os bêbados do outro lado da avenida

 

Silêncio para poder pensar

quem sabe eu escreva

sobre as crianças que não têm futuro

ou sobre os velhos que não têm presente

 

(mas de mim não falo nunca,

minto sempre)

 

eu nada valho

na verdade eu pouco falo

 

além do mais não gosto de falar

enquanto escrevo

e tenho medo

de não deixar nada para ninguém

nem uma página completa

para meus filhos

e nem risadas

uma casa com tapetes e vidraças

um bom telhado

que suporte o escorregar dos anjos

um quintal com grama farta

para esconder meu sangue fraco

por pouquíssimo tempo

até que passe o pânico

 

um quase nada de silêncio

uma coisa assim tão breve e pouca

 

para tapar os podres furos

dos meus corpos

e entupir de pausa e vento

as minhas bocas

 

(André Bolívar)



Cinzia Farina

com quantos silêncios

se faz uma palavra

no cinema da sala

?

com quantas palavras

se faz cinema

no silêncio  da  fala

?

 

Gigi Mocidade

www.porradalirica.blogspot.com


BERÇO

E o homem retorna ao seu lar
no plano equatorial do planeta
e sua óptica adaptativa rumo a um passado
que ainda deve revelar muitos outros
em sua jornada inquieta e inexplicável.

E seu machado ainda estava lá, atrás da porta.
E o homem abre sua janela, e responde a um bom-dia
a seu assistente virtual, e pega um pouco de café.
E olha para seu horizonte e suas atividades
biológicas
[sua fração de oxigênio na atmosfera.

“Tem alguém aí?”, ele pergunta.
E eis que o homem olha para o vazio através do tempo.
E pensa em exoplanetas e nos castigos que moldaram sua casa:
[Terra: pancadaria de meteoros, vulcanismo, glaciações.
E tudo isso para que ele estivesse ali, sentado em frente à natureza
que ainda lhe resta, sob os moldes da mesma janela.
[Sua vida 5.0; seu passado enigmático.

Talvez pudesse chorar um pouco, sem culpa ou remorso.
E eis que o velho machado bem poderia enferrujar um pouco também.
E o homem apaga as luzes com uma voz de comando.
[embargada, sofrida, acanhada.

Mas não fecha a janela, e estica as pernas e deixa os braços
caírem, e estufa o peito um pouco mais.
E cada minuto é um fóton, uma faísca,
um fiat fatal.

E olha para os dedos de sua mão esquerda:
[a pele enrugada, os ossos pontudos, uma seca imprevista
[e inevitável.
E já não há mais como retornar ao começo das coisas,
mas ainda há tempo de ler uma história de amor:
[uma história sem sentido; carnal e piegas.

Dessas que não se contam mais:
A boca sedenta, um beijo jogado na outra margem
da via/vida; dois drinks de Martini; um bilhete molhado
à tinta e à saliva; esses desesperos escassos que já não
brilham nos olhos de quem quer que seja.

Mas o homem conta os segundos e seus algoritmos;
sua idade digital; seu plano de saúde; as batidas de seu
cryptocoração.

E o homem pega um pouco mais de café.
e come um pedaço
de não.

(Nathan Sousa) 



meu coração marisco

 na tua areia
em tarde de sol à pino

 em noite de lua cheia



Artur Fulinaíma - foto.poesia -




Despedida

 

renegar a terra não nasceu em mim

logo que minha mãe menina demais para entender

a bolsa que se rompia em ondas latitudinais

nem mesmo quando nasci

olhos azuis de jabuticaba

louca de vontades de árvores e rios peixes casca flor

 

renegar a terra não vingou em mim

nem depois que tive a primeira fome de prato cheio

e excesso de canções raiz saudade e chuva a furar o chão

eu a rebentar poças de lama e arco-íris entre o espelho

 

menina louca de palavras

construí folhas

 

renegar a terra não me desceu ao ventre quando cavei com as próprias unhas

lago para me afogar a sede

a dor

a angústia de irreconhecíveis horizontes

 

a música a me dar esperança de re_crer no destino comendo ventavais

mastigava cabelouro

atrás da porta para ficar bonita me fazia imensidades

de restos

e pedras partidas

 

renegar a terra não é para mim nem mesmo na poesia ordinária de outono

eu quase-inverno

por ora

no fim da linha há cerol e os pescoços sangram colares de pérolas

quebrados os dentes de porcos

passarinhos insatisfeitos

 

de asas e afetos decidi me fazer sim

 

depois de um oceano no chão outro no céu azul de jabuticabas

toda olhos

 

permito que a vida dance poesia sob meus pés

 

Ivy Menon



 “Nunca tinha implorado por nada na minha vida, mas silenciosamente pedia que me dissesse que me amava. Que se importava comigo... Alguma coisa. ”


Mario Bendetti


O Cão Sem Plumas


A cidade é passada pelo rio
como uma rua
é passada por um cachorro;
uma fruta
por uma espada.

O rio ora lembrava
a língua mansa de um cão
ora o ventre triste de um cão,
ora o outro rio
de aquoso pano sujo
dos olhos de um cão.

Aquele rio
era como um cão sem plumas.
Nada sabia da chuva azul,
da fonte cor-de-rosa,
da água do copo de água,
da água de cântaro,
dos peixes de água,
da brisa na água.

Sabia dos caranguejos
de lodo e ferrugem.

Sabia da lama
como de uma mucosa.
Devia saber dos povos.
Sabia seguramente
da mulher febril que habita as ostras.

Aquele rio
jamais se abre aos peixes,
ao brilho,
à inquietação de faca
que há nos peixes.
Jamais se abre em peixes.



João Cabral de Melo Neto



quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

múltiplasoéticas

felicidade clandestina

olhar-me no espelho
-mulher
que gostosa que tu é!

pijama esgarçado e furado
numa noite
sem prazo determinado

lamber picolé
explicitamente

o sexo que me consome
agora é prazer
que me come

menstruação
quando acaba

num balanço de praça
perdido
encontrar o voo
merecido

molhar o pão
no café com leite

amar com esperança
uma taça de vinho
e uma dança

sentir a barra da saia
roçar os pés
em sandálias

perceber
que a ruga cura
o que assusta
na amargura

caber na mini saia

lutar e não ganhar
em paz

reconhecer em mim
a multidão dos outros
deixar que falem
até que se calem

observar borboletas
lembrando das lagartas

saber da própria ignorância
e dormir
depois de um chá quente
a melhor noite.

 

só mais um passo

e o três vira quatro

 

que venha

calmo e simples

sem enfeite

 

que venha

sol

e chuva

sem expectativas

e sem promessas

 

que venha

a roupa no varal

a lágrima

e o consolo

no beijo molhado

no abraço apertado

 

só mais um passo

 

avante

adiante

respire

inspire

 

mais um

passo

 

alinhe a coluna

 

mais um

só mais um

 

pise firme

 

sinta(xe)

na frase

nas relações

com ou sem concordância

na subordinação

pelo desejo de equilíbrio às vontades

e na ordem do teu pulsar

 

mais - um – passo

 

devagar

des-liiiize

se precisar

 

neste cronômetro

humanômetro

o que importa

é caminhar

 

Vai!

 

Flávia Gomes

Mais um número para conta, amigos.

Celebrem!

Um grande beijo a todos!


Pátria


"Por um país de pedra e vento duro
Por um país de luz perfeita e clara
Pelo negro da terra e pelo branco do muro

Pelos rostos de silêncio e de paciência
Que a miséria longamente desenhou
Rente aos ossos com toda a exactidão
Dum longo relatório irrecusável

E pelos rostos iguais ao sol e ao vento

E pela limpidez das tão amadas
Palavras sempre ditas com paixão
Pela cor e pelo peso das palavras
Pelo concreto silêncio limpo das palavras
Donde se erguem as coisas nomeadas
Pela nudez das palavras deslumbradas

– Pedra rio vento casa
Pranto dia canto alento
Espaço raiz e água
Ó minha pátria e meu centro

Me dói a lua me soluça o mar
E o exílio se inscreve em pleno tempo."

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN



Fátima GUIMARÁES

Trago nas pálpebras cansadas
o peso de todas as demoras

na pele ressequida pelo sol
trago a sede de teu indomável rio

nos lábios orvalhados
trago ainda o perfume do teu corpo
e nos olhos todos os sonhos e desejos

trago o mar nas mãos
e as dunas por entre os dedos. 



Aroldo Pereira

nossos suportes da insubordinação. livros q dizem não ,desdizem , contrapõe ao q vira escola... celebram ao q subverte. seguimos o ritmo do abraço, da linguagem corpórea, vibrante, sambando sob a sombra do poste. Não importando se você não gosta. gostámos do q pulsa humano.soberano. frevando na ladeira do morro, sambando com mestre zanza, irmão Anelito De Oliveira ,cumpadre raimundo colares , buscando o beijo do cinema do delirio. poesia não tem tradução, nem aceitação, é tudo rebelião. pensamos q seguimos & retornarmos. circulo circulando.parangolivro, parangolares,parangosario,parangolamos pela lapa, pelo céu & inferno da sua boca. sigamos deserdados nessa trilha q continuamos a inventar.você consegue aparecer por lá...

Mais um querido amigo que dá seu depoimento sobre meu livro de ensaios recém-lançado (e ainda à venda), Mosaico. Palavras de Sady Bianchin

 "O livro Mosaico de Marcelo Mourão está bem fundamentado com teoria consistente , argumentado e presente no contexto da contemporaneidade. É um destaque editorial para compreender os chamados "escritos ensaios ", com a habilidade e o talento peculiar do autor carioca."


Minhas mãos escrevem cartas
Elaboram pareceres, argumentos
Peticionam.

Limpam janelas, portas, paredes
Areiam a pia, panelas e a superfície do fogão.

Estendem roupas, arrumam a casa
Engomam vestidos
Amassam o pão.

Abrem livros, vinhos e jornais
Aram a terra, fazem a rega.

Minhas mãos se erguem para a luta

Acenam adeus e olá

Minhas mãos compõem poemas
E apertam outras mãos

Mas se justificam
Quando percorrem
O teu corpo

Manuela Lopes Dipp 



Você já ouviu falar em Hilária Batista de Almeida? Talvez possa até não conhecê-la por esse nome, mas, se frequenta as rodas de samba do Rio de Janeiro, saiba: deve, e muito, a ela.

Em um dia 13 de janeiro, há 170 anos, nascia uma das principais personagens no desenvolvimento e consolidação do samba no Brasil, especialmente no Rio de Janeiro, durante o final do século XIX e início do século XX, Tia Ciata foi a mais famosa das “Tias baianas”, que deixaram Salvador com destino ao Rio para fugir da perseguição policial.

Foi quando trouxe consigo o samba de roda, um papel crucial na preservação das tradições culturais africanas no Brasil, criando um espaço em sua casa para práticas religiosas, danças e músicas originárias de países da África.

Em sua residência, na Pequena África, como era conhecida a Praça Onze, no centro do Rio, acolheu grandes nomes do samba, como Pixinguinha, Donga, Heitor dos Prazeres, Sinhô e João da Baiana.

Em um destes encontros na antiga Rua Visconde de Itaúna, onde mostrava as suas habilidades tanto versando em partido-alto quanto sambando o “miudinho”, presenciou a composição de “Pelo telefone”, posteriormente o primeiro samba gravado no Brasil - que tem como autores Donga e Mauro de Almeida.

Por isso, sempre que pisar em uma roda de samba, agradeça à Tia Ciata e a seu papel essencial na criação e expansão do samba e na formação cultural e musical do Rio de Janeiro.

✊🏿Para saber mais:

📕Livro Tia Ciata e a Pequena África no Rio de Janeiro: escrito pela historiadora Júlia T. S. de Almeida.

🎬Documentário Tia Ciata - A Mãe do Samba: com direção e roteiro de Mariana Campos e Raquel Beatriz.

📍: Visite a Casa da Tia Ciata, que fica na Rua Camerino, 5 - Centro. 



Jorge Luis Borges (1899 — 1986)

“O tempo é a substância da qual sou feito. O tempo é um rio que me arrebata; mas eu sou o rio. Tempo é o tigre que me destrói; mas eu sou o tigre. Tempo é o fogo que me consome; mas eu sou o fogo.”

Cresceu falando inglês e espanhol em Buenos Aires. No ano seguinte Borges, com 9, traduziu para o espanhol “O Principe Feliz”, a história para crianças de Oscar Wilde.

Com 11 anos já lia Shakespeare, no original, parte de sua educação bilingue. Em casa, convivia com a biblioteca de mais de mil volumes, do pai. Em 1914, no começo da Primeira Guerra, Borges foi com a familia morar em Genebra, Suiça, onde passou dez anos.

Publicou os primeiros poemas em espanhol em 1923. Em 1945 escreveu o conto El Aleph, onde, num degrau de escada de um porão, o personagem principal da história, o poeta Daneri (uma mescla de Dante+Aligheri) descobre o infinito, a fonte de toda inspiração no universo.

Em 1950 Borges, com 51 anos de idade, fica completamente cego e escreve o poema:

“Nadie rebaje a lágrima o reproche
esta declaración de la maestría
de Dios, que con magnífica ironía
me dio a la vez los libros y la noche (a cegueira).”

“A verdadeira história não é o que sucedeu; é o que pensamos que sucedeu.”

“De todos os instrumentos, o mais maravilhoso de todos é o livro. Os outros instrumentos são extensões do corpo. O microscópio e o telescópio são uma extensão da visão. O telefone é uma extensão da voz e da audição. A pá e a enxada são extensão dos braços. O livro é uma coisa completamente diferente: é uma extensão da memória e da imaginação.”.

“Estoy solo y no hay nadie en el espejo.”

“Acredito que, com o tempo, chegaremos ao ponto em que não precisaremos mais de governo.”

“Quando os escritores morrem eles se transformam em livros – o que me parece uma reencarnação nada má.”

“Não tenho certeza se de fato existo. Sou todos os escritores que li, todas as pessoas que conheci, todas as mulheres que amei, todas as cidades que visitei…”

“Deixe que os outros se vangloriem de todas as paginas que escreverem. Prefiro me vangloriar por todas as paginas que li.”



irina agora também é modelo dessas pinturas clássicas que a gente não sabe qual foi o pincel         usado pelo pintor 



 desde guarapari

lá por por dois mil e cinco

que o meu telhado é de zinco

o meu chão é de estrelas

a minha pele tem plumas

minha língua espuma

quando roço em teus cabelos

 

Rúbia Querubim

https://porradalirica.blogspot.com/


 Com Os Dentes Cravados Na Memória

 

A Mocidade Independente de Padre Olivácio – A Escola de Samba Oculta No Inconsciente Coletivo, nasceu em dezemvro de 1990, durante uma viagem em que cia de Guiomar Valdez, levamos uma turma de estudantes da então ETFC(IFF), a Ouro Preto-MG, como premiação por terem vencidos a Gincana Cultural desenvolvida durante o ano, pelo Grêmio Estudantil Nilo Peçanha. Lá conheci Gigi Mocidade – A Rainha da Bateria, com quem vivi até 1996.

 

A Igreja Universal do Reino de Zeus, criei em 2002 durante a 1ª Bienal do Livro de Campos dos Goytacazes-RJ, que foi realizada nas dependências do Ginásio de Esportes do então CEFET-Campos, onde na ocasião lancei o livro BraziLírica Pereira : A Traição das Metáforas.

O grande objetivo da IURZ é homenagear deuses deusas da África e Grécia para de alguma forma descobrir de onde vem as nossas ancestralidades. De alguma forma e em alguns momentos mitologia grega e africana se misturam e viajando metaforicamente nessas realidades reinventadas vim desaguar no Vampiro Goytacá canibal Tupiniquim.

 

Artur Gomes

https://arturgumes.blogspot.com/




segunda-feira, 1 de janeiro de 2024

vertigem 12

 

            vertigem 12

 

o barro do valão que os pés pisaram impregnou o sangue transpirou  nos poros o limo embaixo das unhas lembra-me o lugar de onde vim aquele sertão alado como uma ilha de creta montando alazão enluarado pre-destinado a ser poeta não tracei a linha reta já nasci um anjo torto nada em mim se concreta no meu sonho – desconforto –

 

Artur Gomes

O Homem com A Flor Na Boca

https://fulinaimatupiniquim.blogspot.com/

 


Vampiro Goytacá Canibal Tupiniquim

              Artur Gomes vampiro goytacá canibal tupiniquim             poesia  prosa viagens metafóricas por  realidades reinv...