Não há vagas
O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão
O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras
– porque o poema, senhores,
está fechado:
“não há vagas”
Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço
O poema, senhores,
não fede
nem cheira.
Ferreira Gullar
múltiplas poéticas viagens metafóricas por realidades reinventadas pelo serTão de cada um
domingo, 12 de fevereiro de 2023
não há vagas
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Vampiro Goytacá Canibal Tupiniquim
vampiro goytacá canibal tupiniquim vermelho meu espelho da cabeça ao coração do coração a cabeça antes que me esqueça nervos medula mús...
-
Geleia Geral - 7ª Edição - Banquete Antropofágico 16 de dezembro - 19h - Santa Paciência - Casa Criativa - Rua Barão de Miracema, 81 - Camp...
-
vampiro goytacá canibal tupiniquim vermelho meu espelho da cabeça ao coração do coração a cabeça antes que me esqueça nervos medula mús...
-
Lispector Certo ar que não é claro nem escuro - que é de sol e chuva ar que não chega ao vento mas entreabre a porta um palmo ...

Nenhum comentário:
Postar um comentário