terça-feira, 21 de novembro de 2023

Sarau Gente de Palavra Paulistano Homenageará Artur Gomes

 


SARAU GENTE DE PALAVRA PAULISTANO homenageará Artur Gomes, também conhecido como Artur Fulinaíma, poeta irrequieto que faz uma poesia política, antropofágica, nonsense, musical, polifônica. segundo observação de Adriano Moura, autor do prefácio. O livro O HOMEM COM A FLOR NA BOCA será lançado numa festa da poesia viva, no próximo dia 29 de novembro, a partir das 19 horas, na Patuscada-Livraria&Café. Sinta-se convidado para essa festa.

 

Rubens Jardim

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Dia 29, quarta-feira, a partir das 19:30, será a vez desse ser arretado e impressionante que está completando 50 anos de poesia! Artur Gomes, autor (entre tantos outros) do premiado PÁTRIA A(R)MADA, Desconcertos Editora, será homenageado pelo GENTE DE PALAVRA PAULISTANO, sob a batuta dos grandes Cesar Augusto de Carvalho e Rubens Jardim, e lançará seu mais recente O HOMEM COM A FLOR NA BOCA! No PATUSCADA, Rua Luis Murat, 40 - Pinheiros - São Paulo.

 

Claudinei Vieira

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quinta-feira, 16 de novembro de 2023

O Homem Com A Flor Na Boca

O ator, produtor, videomaker e agitador cultural Artur Gomes acumula uma bagagem de 50 anos de carreira com prêmios nacionais e internacionais em teatro, música, literatura e artes gráficas. Gomes poderia se filiar na tradição literária dos chamados poetas malditos, como comumente e simplistamente nos referimos àqueles autores que constroem uma obra “rebelde” em face do que é aceito pela sociedade, vista como meio alienante que aprisiona os indivíduos em normas e regras. Tais autores rejeitam explicitamente regras e cânones. Rejeição que se manifesta-se também, com a recusa em pertencer a qualquer ideologia instituída. A desobediência, enquanto conceito moral exemplificado no mito de Antígona é uma das características de tais sensibilidades poéticas, que no Brasil já vem de longe com um Gregório de Mattos e ganhou impulso e seguidores com o famoso trio da “parafernália” rebelde: Verlaine, Baudelaire e Rimbaud.

      Já tivemos oportunidade de observar em outras obras do autor, que suas construções poéticas seguem sempre renovadas para cima em matéria de criatividade, elencando uma variada diversidade temática que aborda, sempre em perspectiva ousada e radical, desde o doce e suave sentido do amor, ao cruel da relação amorosa, flertando com o libidinoso, e questões existenciais que expressam indignação, desobediência e transgressão. É que, explica ele: “arde em mim / um rio / de palavras / corpo lavas erupção / mar de fogo / vulcão”.  Outra faceta do autor, digna de nota, é a criação de vários heterônimos como sejam Federico Baudelaire, EuGênio Mallarmè ou Gigi Mocidade, talvez a mais irreverente de todos, porque fala a bandeiras despregadas, sem papas na língua. “Muitas vezes a língua pulsa pula para o outro lado do muro outras vezes a língua pira punk nesses tempos obscuros às vezes a língua Dada vai rolando dados nesse jogo duro muitas vezes a língua dark jorra luz nas trevas desse templo escuro”. 

E aqui temos afinal, mais uma obra desse múltiplo e incansável poeta que caminha com uma flor na boca, símbolo universal de amor, de paz e beleza. A ele não importa verdadeiramente por quais meios: “se sou torto não importa / em cada porta risco um ponto / pra revelar os meus destroços / no alfabeto do desterro / a carnadura dos meus ossos”. É poética que, para além de perquirir as dores e delícias da condição humana em si, envereda pelo viés de nossa condição social sempre ultrajada. Encontramos um poema que nos pergunta: “quem se alimenta / dessa dor / desse horror / desse holocausto // desse país em ruínas / da exploração dessas minas / defloração desse cabaço // quem avaliza o des(governo / simboliza esse fracasso?”

Artur Gomes segue sua árdua caminhada, agora com o poderoso concurso da maturidade que lhe chega. Segue emprestando sua voz aos deserdados, aos desnutridos, aos que têm sede, aos que têm fome, ou aos que morrem assassinados nos guetos, nos campos, nas cidades por balas de fuzil, desse país que tarda em referendar a cidadania.

Krishnamurti Góes dos Anjos - Escritor e crítico literário.



31 janeiro 2010

era um domingo de sol rock and roll e poesia Irina gozou comigo quando beijei santa teresa no parque das ruínas com uma bela imagem de cristo tatuada em nossas costas depois de uma noite de sonhos amanhecemos nas laranjeiras dentro do severina o famoso botequim mais uma vez me beijou e bem ali no pé do ouvido me falou assim:

 

- vamos pra saideira

meu vampiro goytacá

canibal tupiniquim meu serafim

 

a saideira foi itacoatiara itaipu

 

engenho do mato dentro

engenho de dentro fora

quando penso que clara está vindo

irina já foi embora

 

na argamassa

do abstrato

no abstrato

do concreto

sou

um vampiro bêbado de sangue

que assassinou os alpharrábios

para inventar seu alphabeto

 

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domingo, 12 de novembro de 2023

Juras Secretas

Jura secreta 56

 ainda que fosse viagem

de metrô ou fantasia
e o assunto que eu mais queria
fosse o que não dissesse

e o mar apenas trouxesse
gaivotas sobre os cabelos
vento sol maresia
e o líquido que não bebemos
fosse conhac ou cerveja

mesmo assim a vida seja
entre o que os pelos lateja
o que a tua boca não fala
o que a tua língua não prova
e a prova das dezessete
te levasse mais cedo

inda assim não tenha medo
a palavra entre meus dedos
é o que ainda não disse
miragem essa coisa nova
agora revisitada
naquela hora marcada
de tudo o que não fizemos

 

Artur  Gomes

do livro Juras Secretas

Editora Penalux - Guaratinguetá-SP

2018

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 Jura secreta 57

meta metáfora no poema meta

como alcançá-la plena
no impulso onde universo pulsa
no poema onde estico prumo
onde o nervo da palavra cresce
onde a linha que separa a pele
é o tecido que o teu corpo veste

como alcançá-la pluma
nessa teia que aranha tece
entre um beijo outro no mamilo
onde aquilo que a pele em prumo
rompe a linha do sentido e cresce
onde o nervo da palavra sobe
o tecido do teu corpo desce
onde a teia que o alcançar descobre
no sentido que o poema é prece

 

Artur Gomes

do livro Juras Secretas

Editora Penalux- 2018

domingo, 29 de outubro de 2023

O Homem Com A Flor Na Boca


O Homem Com A Flor Na Boca com o livro e a caneta nas mãos - Sarau Cultural - As Multiliguagens no Palácio - Ocupação Poética - Palácio da Cultura - Campos dos Goytacazes-RJ - foto : Antônio Filho

 Lançamento em São Paulo dia 29 de novembro no Sarau Gente de Palavra Lançamento em Campos no sarau de dezembro  - aguardem informação da data

 

absinto

impossível

te sentir mais do que já sinto

 

Artur Gomes

O Homem Com A Flor Na Boca

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sábado, 7 de outubro de 2023

Teatro Multilinguagens

 

Teatro Multilinguagens

sábados 14 às 16h -

Palácio da Cultura -

coordenação: Artur Gomes e Paulo Victor Santana

- Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima

venham

 impossível pensar Clarice em tudo ela me disse que detesta carnaval - "corpos em movimento não tem graça" - e assim só de pirraça quero ser seu mestre/sala pra mudar a sua fala e a lançar no temporal

 

Fulinaíma MultiProjetos

fulinaima@gmail.com

 22 99815-1268 - whatsapp

domingo, 1 de outubro de 2023

Biblioteca Digital Antônia Leitão - Câmara Municipal de Campos dos Goytacazes-RJ

Meus livros O Poeta Enquanto Coisa (Editora Penalux – 2020) e Pátria A(r)mada (Desconcertos Editora 2022), já estão na Biblioteca Digital Antônia Leitão, da Câmara Municipal de Campos dos Goytacazes-RJ, graças ao trabalho incansável da minha querida amiga Mônica Arêas  – confiram lá

https://bibliotecavirtual.camaracampos.rj.gov.br/


Jura secreta 4

 

a menina dos meus olhos

com os nervos à flor da pele

brinca de bem-me-quer

ela inda pensa que é menina

mas já é quase uma mulher

 

Artur Gomes

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 sala de ensaio

 

moram dentro o mar

dois olhos florescentes

por trás desta paisagem

não são olhos de peixe

são dois feixes de luz

dois faróis brilhantes

que olham infinito

desde um outro tempo

mar de outras eras

nem era primavera

aquela vez primeira

nem era quarta feira

na sala de ensaio

diante dos espelhos

os olhos como raios

encontraram os meus

nem brilhavam ainda

como brilham agora

neste mar de Zeus

 

Artur Gomes

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Cinzia Farina, "Pir meu cori alligrari", per la Mostra Internazionale del Libro d'artista "Stupor Mundi - Parole in libertà". A cura di Lucia Spagnuolo e Stefano Pelle. Castello Svevo di Barletta dal 27 settembre all'8 ottobre 2023.

terça-feira, 26 de setembro de 2023

OcupAção Poética

irreverência

ou morte

disse-me

federico daudelaire

 

o mestre/sala

da mocidade independente

de padre olivácio

 

e escola de samba

oculta

no inconsciente coletivo

 

não fujo do perigo

no asfalto

o beijo sujo

 

é preciso

estar atento e forte

não temos tempo

de temer a morte

 

disse-me caetano

na canção tropicalista

 

o genocida  anda solto

não podemos

nos perder de vista

 

Artur Gomes

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carne viva da loucura

  

escrevo

pra não morrer

antes da morte

 

me disse

gigi mocidade

no homem

com a flor na boca

 

transitivo

ou intransitivo

vivo

 

na mais sagrada

ilógica

do inconsciente

coletivo

 

na semeadura

dos ossos

enquanto posso

palavrar

o que procuro

enquanto ócio

vou lavrando

o criativo

 

na carne viva

     da loucura

 

Artur Fulinaíma

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talvez

não tenha lógica

o que escrevo

 

minha escrita

grita

do inconsciente coletivo

 

vivo re-par-ti-do

em três em cinco

em sete

 

quem não conhece

não se mete

em tudo aquilo

que excita

 

Artur Gomes Fulinaíma

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não conheço

mas é como

se conhecesse

 

disse-me ontem

a psicóloga

 

antes que

amanhecesse

 

depois de uma noite

de trégua

depois de passar a régua

 

na direção dos caminhos

 

Rúbia Querubim

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escrevo

como quem

pesca uma piaba

no rio ururai

 

vou por aí

de itabirina

a iriri

 

se não cansar

cato conchinhas

de anchieta

a guarapari

 

Federico Baudelaire

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em estado de pedra

 poesia purificada

na palavra poro

 

filtro púrpura drumundana

 itabirina paralelepípedo

 descalço

 

beijo no asfalto

mar de eucalípitos

bordelírico de rosas

 um homem com a flor na boca

 

Artur Gomes

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Noturno

 A cigarra canta entre a paisagem

Aviso que a primavera chegará sem chuvas

 

Na próxima mudança de lua, quem sabe?

 

Em tempos mais áridos, a solidão envelhece um pouco o olhar

 

Deixa ao ar uma moldura amendoada...

Há naturalmente um silêncio um pouco mais profundo

 

Percebo que minhas roseiras atrasam os botões

O pequeno canteiro de ervas precisa de cuidados

Alguns pássaros atrasaram a migração

 

Na água que corre mais fina, ao fundo do roseiral

O poente avermelhado, anuncia noite fria e estrelada

E que amanhã será um longo dia de sol

 

Um longo dia de sol...

Há muito percebi em mim o alvorecer da quietude

Uma nuance mais madura da sensibilidade

Na cumplicidade da antiga cadeira

Observo a noite, a dança das nuvens

O chá de capim-santo com mel

E sementes de girassol

 

A cigarra ainda canta entre a paisagem

Amanhã será um longo dia de sol

Um longo dia de sol...

 

Tonho França

Poeta e editor na Editora Penalux

 


auto retrato

 

passei a infância

correndo atrás do sol,

pés descalços pelos matagais

por entre cascavéis e beija-flores.

cedo aprendi o milagre

das sementes: minha mãe

abria a terra

e eu semeava os milharais,

os campos de arroz e as colheitas.

 

- vim crescendo com a sarça hostil

sob a memória de crânios

sem nome.

 

quanto à poesia,

foi se alojando aos poucos

nos latifúndios do coração.

e se tenho as mãos

especializadas na confeitaria

das palavras,

vem da herança natural do ofício

de criar e engravidar as plantas.

 

Salgado Maranhão

em Concerto A Quatro Cantos

Antologia Poesia Brasileira Contemporânea

org. Domício Proença Filho

Record - 2006



tropo

extirpas teu cu melado de açúcares e triguilhos

como tudo que na sua vida tem reticulas e culpas
mastodonte dessa época era requebra seus bordéis e querubins

borrifa seu passado na porta da igreja que te recebeu entre nacos de folhas mortas e do presente das suas mãos solitárias e suicidas

masca tua língua mascára seus retalhos do poente como um homem sem gravata ignobil de recordações e pólvoras

fecha teu currículo vai para o meio da rua e caga.

Cgurgel



CARA OU COROA

Jogar moedas na fonte,
desejo de ponte
- um rio correndo solto,
um riso, um risco, um suspiro -

nadar depois do amor ausente,
águas fundas rompendo comportas,
logo depois tantas outras portas,
entre janelas entreabertas outras pistas

não fomos nós
os jardineiros que semearam os brotos,
nem os canteiros abertos,
deixando à mostra
os veios das nossas aortas em aletas dispersas,

nós, apenas criaturas ausentes,
acidentes de percurso foram tantos

- sobreviventes -

você entende nossa linguagem,
nossa linhagem bordada
debaixo de tantos panos quentes?

As moedas tocaram no fundo:
era cara ou coroa a melhor escolha?

(Nic Cardeal, 28.09.2019)

(
📸 imagem do Pinterest) 


TRADUZIR-SE

 

Uma parte de mim

é todo mundo;

outra parte é ninguém:

fundo sem fundo.

 

Uma parte de mim

é multidão:

outra parte estranheza

e solidão.

 

Uma parte de mim

pesa, pondera;

outra parte

delira.

 

Uma parte de mim

almoça e janta;

outra parte

se espanta.

 

Uma parte de mim

é permanente;

outra parte

se sabe de repente.

 

Uma parte de mim

é só vertigem;

outra parte,

linguagem.

 

Traduzir-se uma parte

na outra parte

— que é uma questão

de vida ou morte —

será arte?

 

Ferreira Gullar


Pedra Pássaro Poema

 

era uma vez um mangue

e por onde andará Macunaíma

na sua carne no seu sangue

na medula no seu osso

será que ainda existe algum

vestígio de Macunaíma

na veia do seu pescoço?

 

na teoria dos mistérios

dos impérios dos passados

nas covas dos cemitérios

desse brasil desossado?

 

Macunaíma não me engana

bebeu água do paraíba

nos porões  dos satanazes

está nos corpos incinerados

na usina de cambaíba

em campos dos Goytacazes

 

Macunaíma não me engana

está nas carcaças desovadas

na praia de manguinhos

em são francisco do itabapoana

 

Artur Gomes

O Homem Com A Flor Na Boca

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Vampiro Goytacá Canibal Tupiniquim

              Artur Gomes vampiro goytacá canibal tupiniquim             poesia  prosa viagens metafóricas por  realidades reinv...