A vida
sempre em
suspense
alegria prova dos nove
fanatismo nã0 me convence
muito menos me comove
Artur Gomes
Desconcertos Editora - 2022
leia mais no blog https://arturgumesfulinaima.blogspot.com/
múltiplas poéticas viagens metafóricas por realidades reinventadas pelo serTão de cada um
A vida
sempre em
suspense
alegria prova dos nove
fanatismo nã0 me convence
muito menos me comove
Artur Gomes
Desconcertos Editora - 2022
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da pátria, filho
ver demente
a mãe gentil
já raiou a liberdade
em cada cano de fuzil
salve lindo
fuzil que balança
entre as pernas
a(r)madas da paz
a
gripezinha
era a certeza esperança
de um genocida
imbecil incapaz
Artur Gomes
Pátria A®mada
Desconcertos – 2022
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Fome é tema
de ensaio fotográfico
com ossos à venda em bandejas
come osso menina come osso menino
não há mais metafísica no mundo
do que comer osso
no açougue ou no mercado
osso de graça já foi dado
hoje é vendido hoje é comprado
come osso maria come osso mané
come osso joão com arroz e feijão quebrado
porque nesse país sem nome temos que comer osso
para matar a nossa fome
Artur
Gomes
Pátria A®mada
Desconcertos – 2022
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tupi or not tupi
Itapetininga
pedra de sal no mar de Pirapitanga tem gente que de repente deixou de ser ou já
não era¿ quem disse que amor é santo¿ nem tudo que poderia te dizer escrevo nem
sei mais quem habita as costas do teu litoral e quantas algas já contei nas
asas do temporal imagens em chamas vieram nas entre linhas rasgando as entre
minhas esporas palavras dela quem disse que desejo não cabe no poema?
meu objeto do desejo tem nos
olhos cor de algas e algum peixe que se foi sem teatro a alma não respira
perde-se a vida Serafim Ponte Grande ainda me aponta uma ponte algumas trilhas
tenho uma amiga que ainda não sabe quanto é musa — nas Juras Secretas para ela
muito já foi escrito e muito mais ainda tenho a escrever até rasgar as
entranhas nas armadilhas do ser estou desde dezembro sem poder fazer o que
gosto e isso me deixa em desgosto a vida sem tira-gosto vida de gado:
Artur Fulinaíma
O Homem Com A Flor Na Boca
jogo de dadaísta
não sou iluminista nem pretender
eu quero o cravo e a rosa
comer o verso e a prosa
devorar a lírica a métrica
a carne da musa
seja branca vermelha negra
verde amarela ou cafuza
eu sou do mato curupira carrapato
sou da febre sou dos ossos
sou da Lira do Delírio
São Virgílio é o meu sócio
Pernambuco Amaralina vida breve
ou sempre vida Severina
sendo mulher ou só menina
que sendo santa prostituta cafetina
devorar é minha sina e profanar é o meu negócio
Artur Gomes
www.secretasjuras.blogspot.com
clique no link para ver o vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=48AANxyuZRs
nada demais
se o muro é pintado de verde
não sei se ainda quero ver-te
neste país do carnaval
lírico demais
se os planos são enganos
para mim tanto faz
as perdas e os danos
eu sou como sou: vidente
e vivo tranquilamente
todas as horas do fim
se o poeta é um anjo torto
a tarde já nos traz
o corpo de um outro morto
agora não se fala mais
toda palavra é uma cilada
o início pode ser o fim
do começo que não deu em nada
eu sou como sou: vidente
e vivo tranquilamente
todas as horas do fim
nada de mais
se quiserem roer o osso
já não estou nem aí
como geleia até o pescoço
nada de mais
se a palavra é precipício
o que fica tanto faz
a poesia já não corre risco
Herbert Valente de Oliveira
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https://fulinaimacarnavalhagumes.blogspot.com/
Artur Gomes
O Homem Com A Flor Na Boca
Um Canibal Tupiniquim
por Fernando Andrade | escritor e jornalista
Um homem cita um poema de nome. O músico já usou a cítara para musicar este poema pelo nome. Tudo já foi transformado, o poema para canção, a rima comeu a melodia e fez troça e troca de nome. Mas o poema do livro O homem com a flor da boca, da editora Penalux, nos devolve este país, do samba, do riso piada, Leminski, a força do ato canibalista de deglutir o que veio antes da poesia concreta, até a letra da canção de Luiz Tatit. Artur Gomes fez das suas, com tanta fome, comeu a maioria dos poemas que leu na vida e canibalizou e carnavaliza referências, citações, humor de longa estrada, ou beira de bar, trabalhando com gume de faca afiada e o lume de um pôr do sol em Ipanema, lembrando Vinícius.
São poemas bons para musicar tanto na solidão de um violão, quanto, atravessada por uma voz tenor, sax soprano. E não falta sexo, sacanagem, tesão, nas palavras das palavras num atravessamento em plena Quarta feira de cinzas, no resultado do carnaval. O desbunde da bunda, o levante dos órgãos, a gíria, e a menina com fio da linha escrita, carregando anedotas, fábulas e circos. O poeta não faz gênero, ele é macho, e fêmea, Simone, em segundo sexo. São poemas para emprestar ao amigo que está com fone de ouvido se atentar para a prosódia do verso, para quem sabe não copiar e transformar Amor em flor na boca.
poesia
I
chegas a mim
como uma égua assanhada
não quer saber do meu carinho
só quer saber de ser trepada
II
eu te penetro
em nome do pai
do filho
do espírito santo
amém
não te prometo
em nome de ninguém
terra
amada de muitos sonhos
e pouco sexo
deposito a minha boca
nu teu cio
e uma semente fértil
nos teus seios como um rio
Artur Gomes
Suor & Cio – MVPB Edições - 1985
https://personasarturianas.blogspot.com/
Artur Gomes vampiro goytacá canibal tupiniquim poesia prosa viagens metafóricas por realidades reinv...